CENTRO DE ENCONTROS HOLÍSTICOS (CEH) - SURYA bRASIL
PROJETO ARQUITETONICO RURAL / INSTITUCIONAL

Este Centro de Encontros Holísticos foi concebido para acolher seus visitantes na zona rural da cidade de Ponte Alta do Tocantins, considerada um dos portais ao Parque Estadual do Jalapão, um território marcado por uma beleza exuberante, muito conhecida pelos fervedouros e com um ecoturismo em ascensão. Por se tratar de um projeto que visa a imersão de pessoas provenientes de diversos países, sugere-se que este seja marcado por uma pronunciada diversidade social e cultural. Deste modo os espaços projetados serão fundamentais para criar um ambiente de convergência, onde o momento presente impera. E neste jogo de convergência, nos munimos de uma ferramenta que independe da cultura do indivíduo, aquela que aguça os sentidos, os chamados estímulos sensoriais bem como seus reflexos no nosso corpo.
Neste sentido, foram trabalhados os conceitos de conforto ambiental, seja pelo conforto térmico, acústico, visual ou lumínico, pautando as decisões de projeto sempre no bem-estar do ser humano e seu metabolismo inerente, além de também considerar aspectos próprios à arquitetura sustentável, aquela que é pautada no uso consciente dos recursos naturais, ainda que sem comprometer a eficiência e qualidade de vida da edificação. O espaço é orquestrado, então, com qualidades que apenas um ser vivo e afetivo pode possuir, produzindo no imaginário significados emocionais, um ambiente acolhedor, no qual não haja um ruído muito significativo entre as necessidades básicas e fisiológicas e as qualidades físicas e ambientais do espaço. Logo, fala-se de uma arquitetura de desempenho e acolhimento.
Com este intuito, buscou-se promover um resgate da cultura e história local, sobretudo quando fruto da arte da sobrevivência, a arte de se trabalhar com o que há de matéria prima disponível, a arte de ser criativo. Aliado a este resgate há também a inserção de inovações tecnológicas, a reverência às novas conquistas e descobertas do mundo moderno, que fazem o link entre o velho e o novo e permitem que a edificação, bem como o espaço por ele definido, se beneficiem com ainda mais desempenho, proporcionando maior bem-estar, segurança, redução de desperdícios entre outros.
O projeto está localizado em uma área de vegetação predominantemente de cerrado e de campo limpo com veredas, semelhante a encontrada na região do Parque do Jalapão. Dessa forma, cada edifício foi pensado para que não fosse necessário o desmatamento de árvores originais. Sendo assim, toda essa vegetação foi mantida ao máximo, incluindo no paisagismo flores e vegetação nativa, evitando a introdução de espécies exóticas.
A implantação dos três maiores setores (Sede/Recepção, Serviços e Chalés/Apartamentos) foi feita de forma a estar distante do acesso principal, para evitar ruídos de veículos, e seu acesso principal se dá pelo norte, chegando primeiramente no setor da recepção, aqui denominado Sede. Em seguida, podemos partir deste ponto para acessar os Serviços ou as acomodações dos Chalés. Os chalés foram distribuídos ao longo da vereda, mais ao sul, com o objetivo de permitirem uma privacidade dos visitantes em seus aposentos, considerando a pele de vidro que circunda seu fechamento externo e que os conecta com a natureza, como também para proporcionar uma experiência ímpar de ouvir o som aconchegante da queda d’água do córrego situado na vereda.
O Programa de necessidades compreende a hospedagem e recepção de 20 pessoas. A sede possui uma sala de múltiplo uso, para ser usada também como sala de conferência e capacitação, além de também abranger um espaço de convivência e local para refeições. Para atividades de apoio, previu-se salas do setor administrativo, cozinha e depósito, que servirá para guardar o mobiliário utilizado na sala multiuso.
O projeto seguiu ao máximo a diretrizes e recomendações construtivas , contidas para a Zona 7, do Zoneamento Bioclimático Brasileiro para a Arquitetura Bioclimática, uma concepção de arquitetura adaptada ao clima da região. Buscando desempenho energético, priorizou-se a implantação das edificações ao longo do eixo leste-oeste, tendo em vista que isto aumenta o percentual de paredes voltadas para o norte e para o sul, de modo que nessas orientações solares o uso de beirais e/ou brises horizontais são mais efetivos, por impedirem a incidência solar direta. Ao observar a edificação dos serviços, é possível notar que esta se encontra disposta no eixo leste-oeste e suas fachadas são completamente opacas nas laterais e nas demais fachadas possuem ora brises, ora pergolados com trepadeira e sombrite. Além disso, observa-se janelas altas tanto voltadas para o corredor interno como para o lado externo da edificação, permitindo a ventilação cruzada destes ambientes. A implantação deste edifício observou as árvores existentes com maior porte no local, visando reduzir ao máximo a necessidade de derrubada de árvores.
Nos chalés, parte-se da mesma premissa utilizada no edifício de serviços, para poupar as árvores já existentes, ainda mais considerando que a implantação deixou os chalés próximos à vereda, em uma área de areia com vegetação muito sensível e rica em diversidade. Desta forma, a distribuição dos apartamentos em pares interessava-se por aproveitar o máximo possível as áreas com vegetação mais esparsa e rasteira, visando também a preservação da flora local. Quanto ao aspecto de desempenho energético, incorporou-se à cobertura uma saída de ar superior que funcione como chaminé de ventilação, por esse motivo manteve-se o forro do interior do apartamento com o pé direito mais alto para que a diferença de temperatura em seu interior, induzisse o movimento ascendente do ar quente. A disposição no eixo leste-oeste foi priorizada, ainda que alguns chalés ficassem um pouco rotacionados, para uma melhor visualização da vereda. O fechamento externo do apartamento é em sua maioria em vidro para promover a integração com a área externa, ainda que com brises nas fachadas leste e oeste e avarandados no norte e sul.
